sábado, 7 de novembro de 2009

limites

Diante da reportagem sobre aquela ato violento na escola de Porto Alegre e de comentários sobre a culpabilidade da educação, não posso deixar de registrar minha opinião técnica sobre o assunto.
Nossos alunos mudaram. A vida cotidiana da criança do século XXI é muito mais acelerada que crianças do século XX. Vivemos num mundo globalizado, onde elas captam milhares de conhecimento numa fração de segundos.Convivem com o estresse e a ansiedade diretamente, vêem a competitividade que seus pais enfrentam lá fora no mercado de trabalho, competem na sociedade para serem bem vistos. E todo esse bombardeio não é nada inofensivo, pois os torna em uma eterna busca pelo prazer, saciar suas vontades, que muitas vezes nem eles próprios sabem quais são. A verdadeira geração de insatisfeitos.Augusto Cury diz que quanto pior for a qualidade da educação, mais importante será o papel do psiquiatra neste século. O século do antidepressivo e tranqüilizante. Isso com certeza me apavorou muito.Certas horas paro e fico pensando: onde estamos errando? Apesar de saber que educação vem de casa, que não é o papel do educador dar educação e impor limites, me apavoro muito, porque também sou mãe, e apesar de ficar muitas horas do dia longe dele, eu lhe imponho limites, regras, porque criamos os filhos para o mundo. Qual será a reação dele quando ao chegar à escola se deparar com regras, com nãos, tendo que respeitar os limites de seus colegas? Nos preocupamos muito com o planeta que deixaremos para nossos filhos, mas esquecemos de deixar filhos melhores para este planeta. A moda agora é ter filho hiperativo, parece até status, chique...é de rir, mas limite é coisa que nem se fala mais,muitos nem sabem o que são. E ainda dizem que a escola é culpada de tudo isso. Quero deixar bem claro que há muitas falhas na educação brasileira, mas também há falhas piores na sociedade, que nada mais é do que as famílias.
Ao meu ver o trabalho mais importante na formação de uma criança é na educação infantil, é aqui que devemos apresentar as regras, rotina diária, é fundamental dar-lhes limites. Vimos diariamente adolescentes que não tiveram este tipo de educação, matando por ouvir um não da namorada, ateando fogo em índios por diversão, e assim vai, todos dias alguma barbárie acontece por falta de limites na infância. Sabemos que na vida não podemos fazer tudo o que queremos nem na hora que queremos. Isto esta refletido muito na escola, alunos agressivos, desinteressados, desorganizados, mas muitos casos (não digo todos),são por falta de limites, porque não querem fazer atividade naquele momento, não estão com vontade de estudar, queriam brincar, ai agride aquela pessoas que estão tentando lhe colocar limite (professora), agride o colega para chamar atenção, torna um verdadeiro caus a aula que poderia ter sido tão divertida e proveitosa.
Aqui também entra outra questão, agora mais pedagógica: essas crianças não se contentam com pouca coisa, exigem muito de nós professores, querem algo inovador, que lhes instiguem o intelecto, estamos competindo num páreo duro com alta tecnologia, e temos que correr, pra não ficar atrás.
As características de crianças que não possuem limites: possuem descontrole emocional, histéricas; distúrbios de condutas, incapacidade de concentração, excitabilidade, dificuldade para concluir tarefas e baixo rendimento. Características estas, muito confundidas com TDAH (hiperatividade).
Na preocupação de deixarmos nossos filhos e alunos mais autônomos, perdemos as rédeas da educação, e isso é muito frustrante como mãe e como profissional. De um ponto de vista psicopedagógico, se não nos unirmos pais e professores, ficará mesmo a mercê dos psiquiatras, como Augusto Cury citou em seu livro. Sei que a pergunta mais freqüente é como dar limites ao meu filho sem traumatizá-lo? Isso é uma resposta que não achamos em cartilhas, mas sabemos que o ser humano esta a cada dia mais sem saber como lidar consigo mesmo e com os seus. Conversar do tipo: discutir a relação é problema: fujo. E assim vamos indo, vivendo em sociedade. Sinto a carência de meus alunos em relação a conversar, ouvir suas criticas, eles tem cada opinião sobre sua realidade! Podemos notar nas escolas que aqueles professores que impõe limites, dá regras as suas aulas, mas também sabe ser flexível, amoroso, sabe que esta ali com uma diversidade em sua sala e respeita cada uma delas, é amado e respeitado por seus alunos. Porque no fundo é isso que eles querem em casa, de seus pais, também sabem que quem ama cuida, educa, e que seus pais fazem todas suas vontades e os deixam livres não por respeito, mas pára não criar problemas de discutir a relação familiar. São crianças, mas percebem muito mais que nós adultos, que crescem, esquecem que tem uma criança interior dentro deles, e sofrem, buscam a eterna felicidade em bens, mas esquece seu bem maior: filhos.
Temos que ter em mente que em uma escola, priorizando a sala de aula temos um grupo de crianças de uma mesma faixa etária, mas com desenvolvimento emocional, social e cognitivo bem distintos, cada um com a sua própria dinâmica familiar, seus próprios valores( em relação a comportamento, limites, disciplina e autoridade). Içami Tiba usa uma expressão bem interessante “ O professor pode ser um canhão, mas o aluno é um revolver”... Quantas situações agressivas e desnecessárias poderemos evitar se olharmos com outros olhos para nossos alunos, para nós mesmas, porque há muitos professores hiperativas e sem limites também. Uma vez uma professora nos disse em sala de aula “ Meninas vocês serão o espelho de seus alunos, seu estado de espírito refletirá, muitas vezes neles”.Portanto, a disciplina será um bem desde que não exista uma moral dupla, que todo mundo aceite e compreenda as que normas nunca poderão ser iguais a todos, que os alunos as aceite, para o bem de uma convivência.
Assim, usarei aqui palavras de Paulo Freire “ prefiro ser criticado como idealista e sonhadora inveterada por continuar, sem relutar, a apostar no ser humano”. Não consigo digerir quando ouço uma professora falar “esse aluno é uma causa perdida”, ou “ tadinho é hiperativo, não tem o que ser feito”ou até pais " só voc~es para aguentarem meu filho" Por que não tem aula em sabado e domingo?". Como isso acontece ainda? O que é ensinar? Qual o propósito de nossa profissão?Qual o proposito de familia? De educar um filho? Ensinar exige conhecimento, criticidade, dialogo, amor, comprometimento... poderia ficar aqui citando vários adjetivos para esta palavra.Se ao final do ano conseguirmos fazer os pais repensarem sobre a educação de filhos, sobre suas qualidades de vida e o que é prioritário para eles será como acertar na mega sena acumulada e sozinha.
Enfim, julgo que a educação de valores deve ser interpretada com um instrumento de mudança, de transformação pessoal e coletiva que permita ajudar e detectar e a criticar os aspectos injustos da realidade cotidiana e das normas morais vigentes, que impulsione a construção de formas de vida mais justas, que permita elaborar, de maneira autônoma, racional e dialogada, princípios gerais de valor, assim, como conseguir que as crianças adquiram condutas e hábitos coerentes com os princípios e as normas construídas. Pedagogia da autonomia, de valores, da sustentabilidade, que seja vários tipos, mas tudo é valido nesta busca por um ser humano mais justo e menos problemático, visto que a hiperatividade existe desde os primórdios e só agora virou febre nas instituições e nunca foi tratada com tanta preocupação como agora na atualidade. Crianças índigos, indisciplinadas, hiperativas seja lá qual for o tipo de criança merece ser tratada com respeito e merece todos nossos esforços para uma vida mais saudável e feliz.

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