quinta-feira, 25 de novembro de 2010

INCLUSÃO ESCOLAR DE ALUNOS SURDOS: PERSPECTIVAS DO PROFESSOR, INTÉRPRETE E ALUNO SURDO Luciani Abisagui Batista Leite 1, Ana Paula Santos Conceição 1 e Maria Janaina Alencar Sampaio2

________________ 1. Alunas do 6º período do curso de Licenciatura em Ciências Biológicas da Universidade Federal Rural de Pernambuco, Rua Dom Manoel de Medeiros, s/n, Dois Irmãos, CEP52171-900. E-mail: luciani.abisagui@yahoo.com.br 2. Professora Assistente do Departamento de Letras e Ciências Humanas da UFRPE. Intérprete do Curso de EAD em Letras/Libras UFSC, Pólo UFPE. Doutoranda em Linguística e Mestre em Letras pela UFPB. Fonoaudióloga Especialista em Linguagem pela UNICAP; Graduada em Psicologia pela UFPE.
Introdução
A partir da década de 90, houve um movimento de desprestigio dos programas de educação especial e um incentivo maciço para práticas de inclusão de pessoas surdas em escolas regulares (de ouvintes). Foi então, que difundiu-se com força a defesa de uma política educacional de inclusão dos sujeitos com necessidades educativas especiais, ou melhor, das pessoas com deficiência, propondo maior respeito e socialização efetiva destes grupos e contemplando, assim, também a comunidade surda.
De acordo com Lacerda (2006), “o modelo inclusivo sustenta-se em uma filosofia que advoga a solidariedade e o respeito mútuo às diferenças individuais, cujo ponto central está na relevância da sociedade aprender a conviver com as diferenças” [1]. Segundo a Política Nacional de Educação Especial, a Integração é um processo dinâmico de participação das pessoas num contexto relacional, legitimando sua interação nos grupos sociais. A normalização é o princípio que representa a base filosófico-ideológica da integração [2]. A legislação do Brasil (Constituição Federal/88, LDB 9394/96 entre outras) prevê a integração do educando com necessidades especiais no sistema regular de ensino. Essa integração, no entanto, deve ser um processo individual, fazendo-se necessário estabelecer, para cada caso, o momento oportuno para que o educando comece a freqüentar a classe comum, com possibilidade de êxito e progresso. Dentro dessa perspectiva, o presente estudo teve como objetivo observar quais as perspectivas de inclusão social, tanto do professor, do intérprete e do aluno surdo, avaliando de fato as dificuldades e sucessos dessa temática. Material e métodos
A avaliação de início começou com uma ida a escola pública regular estadual Engenheiro Lauro Diniz, onde focalizamos a sala de aula do 7º ano do ensino fundamental (6ª série), que conta com 43 alunos ouvintes, 2 alunos surdos. Fomos informadas que esta escola conta com três intérpretes de língua de sinais que se revezam neste trabalho, mais quatro turmas com alunos surdos (8º e 9º ano, ensino fundamental e 1º e 2º ano, ensino médio) e 4 professores de educação especiais que tem uma noção de língua de sinais. Com essas informações partimos para observação e avaliação da vivência de uma aula de ciências. A aula teve duração de 50 minutos, a professora estava na frente da turma e o intérprete também, observamos que a professora fez algumas dinâmicas, expondo desenhos, vídeos, já para facilitar tanto o aprendizado dos ouvintes quanto dos alunos surdos. Surgiu uma dúvida por parte do aluno surdo, e o intérprete comunicou a professora, da mesma forma que ela faz para os ouvintes, ela parou aula e explicou novamente, o intérprete transmitiu toda informação. Através dessa aula vimos que esse professor tinha prazer no que estava fazendo, embora ela não tendo o domínio da Língua de Sinais, muitas vezes ela fazia até alguns gestos indicando o que estava falando. Então partimos para o próximo passo, fizemos três entrevistas, uma com o professor que ministrou a aula de ciências, outra com o intérprete dessa aula e outra com um dos alunos surdos que estava assistindo a aula de ciências. Essa entrevista consistia em perguntas relativas às concepções que cada um têm de sua função, qual a linguagem adotada por eles em sala, o que cada um faz para que a aula tenha sucesso, quais as dificuldades enfrentadas por eles em sala e o que acham que se deve ser feito para a melhoria dessa interação em sala de aula. Resultados e discussão Alfabetizar alunos com culturas diferentes é um choque tanto para o professor ouvinte como para os alunos surdos, por não entenderem de imediato o complexo lingüístico da língua um do outro. Não é suficiente conhecer a Língua Brasileira de Sinais para poder atuar eficazmente na escola com o aluno surdo. É também necessário conhecer a Cultura Surda através da participação e vivência na comunidade surda, aceitação da diferença e paciência para inteirar-se nela. Se o professor for ouvinte e não sinalizador, a presença do instrutor (intérprete) é de extrema importância para esclarecer aos alunos o que o professor quis dizer e vice-versa. O professor ouvinte deverá ficar atento, pois tudo em seu comportamento há uma explicação de construção dialógica quanto à questão de língua, cultura e participação real na educação escolar conforme as exigências.
Na realidade brasileira, são poucas as pessoas com formação específica para atuarem como intérpretes da Libras. Tem crescido o número de cursos oferecidos, todavia eles se concentram nos grandes centros,
atingindo um número restrito de pessoas. Desse modo, é difícil encontrar, em cidades do interior, pessoas com formação específica como intérprete e que se disponham a atuar na área de educação. É preciso reconhecer que a presença do intérprete em sala de aula tem como objetivo tornar os conteúdos acadêmicos acessíveis ao aluno surdo. Entretanto, o objetivo último do trabalho escolar é a aprendizagem do aluno surdo e seu desenvolvimento em conteúdos acadêmicos, de linguagem, sociais, entre outros. A questão central não é traduzir conteúdos, mas torná-los compreensíveis, com sentido para o aluno. Segundo o professor entrevistado sua função é de transmitir o conteúdo de forma mais clara possível para seus alunos ouvintes e não ouvintes, ele utiliza estratégias para facilitar o entendimento do aluno, porém mesmo assim muitas vezes o aluno não ouvinte não consegue assimilar o que ele quer expressar, logo procura a ajuda do intérprete para possibilitar o entendimento do aluno, procura também entender um pouco sobre sua vida além da escola, buscando respostas para algumas atitudes em sala e através deste adequar suas aulas a realidades existentes. O intérprete tem a função de repassar com fidelidade aquilo que o professor fala em sala de aula, onde a língua usada é a Libras, eles se entendem muito bem com os surdos, pois têm a compreensão de perceber as dificuldades enfrentadas por eles e também algumas peculiaridades existentes, isso é conseqüência do constante contato com a comunidade surda em vários lugares, muito além da sala de aula. Ele menciona que muitas vezes a sua interpretação é um pouco comprometida pela não elaboração das aulas em conjunto intérprete-professor, o que dificuldade um pouco o seu trabalho podendo desconhecer algum sinal peculiar do assunto da disciplina e na hora ficar um pouco perdido, tendo que descartá-lo. Os alunos surdos sentem-se bastantes limitados, não pelo fato de terem a deficiência auditiva, mas pela falta de atenção que muitas vezes não tem pela parte do professor. A inclusão do aluno surdo é um desafio que deve ser enfrentado com coragem, determinação e segurança. A decisão de encaminhar um aluno para a classe de ensino regular deve ser fruto de um criterioso processo de avaliação. Finalmente, deve-se ter clareza que essa inclusão não passa exclusivamente pela sua colocação na turma com crianças ouvintes. A verdadeira inclusão implica em reciprocidade. A criança surda poderá iniciar seu processo de integração na família, na vizinhança, na comunidade, participando de atividades sócio-recreativas, culturais ou religiosas com crianças e adultos "ouvintes" e dar continuidade a esse processo na escola especial ou regular, de acordo com suas necessidades específicas. Garantir ao aluno surdo um processo de escolarização de qualidade é fator fundamental para seu desenvolvimento cognitivo, afetivo, lingüístico e cultural, além de sua inserção plena na sociedade.
Referências
[1] LACERDA, Cristina Broglia Feitosa De; ”A inclusão escolar de alunos surdos: o que dizem alunos, professores e intérpretes sobre esta experiência” , Cad. Cedes, Campinas, vol. 26, n. 69, p. 163-184, maio/ago. 2006. Disponível em [2] Site do Instituto Nacional de Educação de Surdos - INES
http://www.ines.gov.br/ines_livros/32/32_006.HTM http://www.webartigos.com/articles/38417/1/O-PROCESSO-DE-INCLUSAO-DE-ALUNOS-SURDOS-NA-ESCOLA-REGULAR/pagina1.html

EDUCAÇÃO BILÍNGÜE: O INÍCIO DE UMA NOVA LUTA

Vilmar Silva

O bilingüismo parte do princípio de que o surdo deve dominar, enquanto língua materna, a língua de sinais, que é a sua língua natural, e como segunda língua a língua oficial de seu país. Nesse sentido, é de fundamental importância o convívio da criança surda com outros surdos mais velhos, que dominem a língua de sinais. Além disso, se os pais forem ouvintes, há a necessidade de que eles aprendam a língua de sinais, preferencialmente no convívio com as comunidades surdas, para garantir um ambiente lingüístico adequado à criança surda, tanto no contexto familiar como no social.

Para Goldfeld (1997), o ambiente lingüístico deve ser o mais adequado possível à criança surda, para facilitar a aquisição da língua de sinais e evitar o atraso da linguagem e todas as suas conseqüências, em nível de percepção, generalização, formação de conceitos, atenção e memória. E acrescenta que provavelmente “a língua de sinais será a língua mais utilizada na construção da fala interior e exercerá a função planejadora da linguagem, já que esta língua é mais fácil e natural para o surdo”.[1]

Já vimos que o oralismo e a comunicação total têm tido como principal objetivo a adequação dos surdos à realidade dos ouvintes. Contudo, na proposta de educação bilíngüe construída com a comunidade surda, o surdo não almeja essa adequação, pois enquanto minoria lingüística ele assume sua surdez como uma diferença histórica e cultural.

Portanto, a noção de que o surdo deve, a todo custo, tentar aprender a língua oficial de seu país em sua modalidade oral para poder se aproximar do padrão de normalidade colocada pelos ouvintes é rejeitada por esta proposta de educação bilíngüe, pois sua principal origem está justamente na luta histórica dos movimentos surdos em prol do reconhecimento da língua de sinais no processo pedagógico. Isto é, os surdos, pela primeira vez após o domínio secular do oralismo, passam a intervir na construção de uma proposta educacional que tem como foco principal o reconhecimento de sua experiência visual.

Porém, isto não significa dizer que a premissa de normalidade do surdo tenha desaparecido com a educação bilíngüe. Muito pelo contrário, existem propostas de educação



bilíngüe que conservam a visão oralista em relação ao surdo. Essas propostas geralmente procuram deslegitimar as línguas de sinais, usando-as enquanto instrumento para a aquisição da língua oral.

A compreensão que se tem é que as propostas bilíngües que tentam colocar em foco a língua majoritária sem refletir com a comunidade surda elementos constitutivos de sua educação - tais como: qual o currículo a ser adotado na educação de surdos? qual deve ser a modalidade da segunda língua, oral ou escrita? em que momento deve ocorrer a aquisição da segunda língua? - tendem a “ouvintizar”[2] o processo de luta da comunidade surda.

Segundo Skliar (1997), as comunidades surdas que estão refletindo sobre essa temática divergem de propostas unilaterais e defendem um bilingüismo que reconheça o direito da aquisição e do uso das língua de sinais, não para serem oralizados, mas sim para poderem participar com sua própria língua dos debates que circundam a sociedade atual, no mesmo nível de igualdade e de condições, porém reconhecendo sua singularidade e especificidade.

O posicionamento político dos movimentos surdos tem demonstrado que não existe uma proposta de educação bilíngüe pronta e preparada para ser usada em qualquer parte do mundo. Neste sentido, Skliar (1997) cita o pensamento de Paulo Freire, que é enfático em afirmar que nenhuma prática pedagógica pode ser transplantada:



Uma mesma compreensão da prática educativa e uma mesma metodologia de trabalho não operam necessariamente de forma idêntica em contextos diferentes. A intervenção é histórica, é cultural, é política. É por isso que insisto tanto em que as experiências não podem ser transplantadas, se não reinventadas.[3]



Não existe uma proposta de educação bilíngüe que possa ser transplantada universalmente, o que existe são processos históricos e culturais que produzem diferentes propostas de educação bilíngüe.

Um outro ponto a ser analisado na educação de surdos, segundo a Federação Mundial dos Surdos (WFD), está relacionado com o alto percentual de surdos fora do ambiente escolar, ou seja, aproximadamente 80%, situação que se agrava ainda mais nos países do Terceiro Mundo. Este dado, para Skliar (1998), deve no mínimo fazer com que os educadores de surdos (surdos e ouvintes) reflitam para quem estão sendo pensadas as propostas de educação bilíngüe, e nos força a afirmar que a educação bilíngüe, com seu projeto político-pedagógico, não deve se restringir apenas à escolarização de surdos. Ela precisa transcender o espaço escolar mediante políticas públicas que propiciem o desenvolvimento lingüístico dos surdos em diversos ambientes, que articulem os movimentos surdos regional e nacionalmente, que coloquem os surdos, no mínimo, no contexto da classe trabalhadora, tanto no campo de educação profissional como de mercado de trabalho, etc. Porém, uma parcela representativa de profissionais que trabalham com surdos acredita que



a desigualdade não dependeria de uma privação cultural dos surdos, mas de uma limitação de oportunidades sociais e educacionais. Assim, se exagera o papel da escola, supondo que as restrições econômicas e sócio-culturais existentes podem ser modificadas e reformadas dentro da instituição escolar, com o objetivo de alcançar uma relativa igualdade.[4]



Essa proposta humanista de educação bilíngüe tenta resolver ingenuamente um problema social e histórico apenas no campo educacional, esquecendo-se de que não basta aos surdos terem acesso ao conhecimento, mas precisam também transformar esses conhecimentos em instrumentos de luta que combatam as relações sociais de dominação.

A compreensão que se tem é que a educação bilíngüe não pode ser vista apenas como um ponto de chegada, mas sim como um ponto de partida, cuja perspectiva política reflita as condições sócio-econômicas, lingüísticas e culturais dos próprios surdos. É uma proposta que precisa ser construída com a comunidade surda, para que os projetos político-pedagógicos de educação bilíngüe não se restrinjam apenas à implantação de escolas, mas que possam aprofundar e criar de forma massiva as condições “de acesso a la lengua de senas y a la segunda lengua, a la identidad personal y social, a la información significativa, al mundo del trabajo y a cultura de los sordos”.[5]











Bibliografia



GOLDFELD, Marcia. A criança surda: linguagem e cognição numa perspectiva sócio-interacionista. São Paulo: Plexus, 1997.

MOURA, Maria Cecília. O surdo: caminhos para uma nova identidade. Rio de Janeiro: REVINTER, 2000.

SKLIAR, Carlos. La educación de los sordos: Una reconstruccíon histórica, cognitiva y pedagógica. Mendonça: EDIUNC, 1997.

. A surdez: um olhar sobre as diferenças. Porto Alegre, R.S.: Mediação, 1998.

. A escola para surdos e as suas metas: repensando o currículo numa perspectiva bilingüe e multicultural. Porto Alegre: UFRGS, S/D. Mimeo.

SOUZA, Regina Maria de. Que palavra que te falta? Lingüística e educação: considerações epistemológicas a partir da surdez. São Paulo: Martins Fontes, 1998.



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[1] Id., Ibid., p. 108.

[2] Skliar (1998) define o ouvintismo como um “conjunto de representações dos ouvintes, a partir do qual o surdo está obrigado a olhar-se e a narrar-se como se fosse ouvinte”.

[3] Carlos Skliar (1997). Un análisis preliminar de las variables que intervienen en el proyecto de educación bilíngüe para los sordos, p. 9.

[4] Carlos Skliar (S/D). A escola para surdos e as suas metas: repensando o currículo numa perspectiva bilingüe e multicultural, p. 11.

[5] Carlos Skliar (1997). Un análisis preliminar de las variables que intervienen en el proyecto de educación bilingüe para los sordos, p. 7.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

CABE NA MALA? dos Tapetes Contadores de Histórias

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Feliz dia dos professores !

Ser Mestre

Tarefa que exige abnegação,
tarefa que é feita com o coração!
Nos dias cansados, nas noites de angústia,
nas horas de fardo, de tamanha luta,
chegamos até a questionar:
Será, Deus, que vale a pena ensinar?
Mas bem lá dentro responde uma voz,
a que nos entende e fala por nós,
a voz da nossa alma, a voz do nosso eu:
- Vale sim, coragem!
Você ensinando, aprende também.
Você ensinando, faz bem a alguém,
e vai semeando nos alunos seus,
um pouco de PAZ e um tanto de Deus!

Desejo à todos com muito carinho um FELIZ DIA DOS PROFESSORES!!!
Que Deus nos dê muita sabedoria a cada amanhecer ...
Forte abraço!
A todos nós educadores, que fazemos a diferença.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Ser Professor...

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Os Doutores da Alegria - Uma missão do bem

domingo, 26 de setembro de 2010

Fundamentos para a formação e atuação do psicopedagogo

Patricia Leuck
A Psicopedagogia nasceu em um contexto marcado por transformações sociais significativas, onde ampliou muito a procura por escolas.Eis então, o surgimento da psicopedagogia,onde médicos psicólogos e educadores mostraram interesse e preocupação com as dificuldades de aprendizagem, com o fracasso escolar e com a compreensão do processo de ensino aprendizagem. Buscaram alternativas de intervenções que integravam o conhecimento.Passou-se  a olhar o todo, a enxergar o sujeito que, ao aprender, é afetivo, cognitivo, comunicativo, relacional, corporal, biológico e social.  O seu objeto de estudo é o processo de aprendizagem: ensinar/aprender.
Há diversos autores que conceituam de diversas formas a psicopedagogia, mas sob meu ponto de vista, a que melhor se encaixa , é o conceito de Weiss, que procura “ por meio de sua atuação, melhorar a relação do sujeito com a aprendizagem e também a qualidade no processo de construção das aprendizagens, tanto dos educandos, quanto dos educadores, a inserção do educador neste processo, não como um ensinante apenas, mas como aprendente.
 È de extrema importância o educador conhecer o próprio processo de aprendizagem, seus limites e possibilidades para poder entender como se dá a aprendizagem do aluno”. Para Weiss, tanto o aprendente quanto o ensinante, estão envolvidos neste processo.
Quando falamos em dificuldades de aprendizagem temos que pensar não só nas dificuldades que o aluno enfrenta, mas nas dificuldades que o educador também enfrenta para entender o processo de aprendizagem de seu aluno. È uma via de mão dupla, necessitando de uma visão totalizadora, integradora, capaz de possibilitar uma aprendizagem mais signitiva.
Possuir um boa formação docente, um conhecimento mais  especializado nas teorias  cognitivas de aprendizagem , ser conhecedor de uma nova praxis, são imprensidiveis para alcançar um processo educativo que valoriza o saber, que promove a circulação do conhecimento.
       A psicopedagogia caminha com objetivo de contribuir para o processo de aprendizagem do sujeito. Seu caráter interdisciplinar denota especificidade enquanto área de estudo, buscando conhecimentos em outras áreas e criando seu próprio objeto de estudo, campo de aplicação e instrumentos.
Segundo Maria Eliana da Silva e Mari Angela Calderari Oliveira,
A atividade psicopedagógica vem ganhando um espaço de atuação significativo ao longo de sua história, como uma área que identifica, diagnostica e intervem no movimento de aprendizagem do homem.        Aborda-se o termo movimento de aprendizagem, na psicopedagogia,      porque esta área concebe seu objeto de estudo, que é o aprender, como algo dinâmico no ser humano e nas suas inter-relações.
       Ainda, dentro desta interdisciplinariedade da psicopedagogia, Laura Monte Serrat Barbosa, citada por Silva e Oliveira, afirma que :
        Embora a psicopedagogia possua em seu nome os termos psicologia e pedagogia, seu significado não esta relacionado à junção destas disciplinas, mas está ligado a todas que estudam o processo de aprendizagem. A psicopedagogia, sem pretender ser a solução de todos os problemas, surge como uma área que busca integrar várias disciplinas, com o objetivo de construir um corpo teórico que embase uma atuação eficaz, sem que se divida o sujeito da aprendizagem em vários compartimentos. O caráter interdisciplinar da psicopedagogia coloca-a como um campo que teoriza contemporaneamente sobre a questão de apredizagem, efetivando sua prática na relação de aprendizagem e saberes múltiplos. Não se fundamenta em bagagens conteudistas, mas sim em saberes significativos, configurando uma relação positiva com a aquisição de conhecimento.
       È de fundamental importância que se compreenda a psicopedagogia como área que desenvolve seus estudos, concretizando seu corpo teórico e aprimorando seus instrumentos, para entender  de forma cada vez  mais precisa, o processo de aquisição do conhecimento humano. Nosso objeto de estudo vai muito além do processo de aprendizagem, refere-se a um sujeito que aprende, um sujeito que é capaz de conhecer sobre si mesmo e sobre o ambiente do qual  está inserido.Mas o que seria esta aprendizagem? Como se dá este processo?
       Davis e Oliveira definem a aprendizagem como um processo de apropriação ativa, por parte da criança, dos conhecimentos resultantes da experiência do grupo social a que elas pertencem. Ainda afirmam, que  para que a aprendizagem ocorra, é fundamental haver interação entre o sujeito( criança) e outros sujeitos humanos, segundo eles:
A criança, a partir do nascimento, por meio dessas interações, amplia sua ação no mundo e contrói significados tanto para suas ações quanto para suas experiências que vivência, aprende e desenvolve. A utilização da linguagem promove a ampliação dos significados, o que, por sua vez, permitirá a conceitualização. A integração entre linguagem e pensamento representa a base do funcionamento intelectual. A criança aprende nas relações com o outro, através do compartilhamento de ações que são mediadas pela linguagem e pela instrução.
       O papel que nós, psicopedagogos assumimos, segundo análise de Abaurre, deve ser de mediador trabalhando diretamente com o aluno que tem “problemas” de aprendizagem para identificar os fatores que interferem no seu processo, e para ajudá-los a vencer essas dificuldades, por meio de acompanhamento “ remedial”.
       Sabemos que em nossa práxis, nos deparamos com muitos obstáculos, precisando uma instrumentação e preparação para poder intervir, superando as dificuldades e rompendo dogmas que se formam a partir de conflitos criados em relação à esses obstáculos.
       Um deles,  está na escola, com a dificuldade de entender o motivo do fracasso  escolar de seus alunos, criando situações de ansiedade e angustia para ambos os lados  aluno→ educador→ pais.
A interação professor-aluno só é positiva quando a necessidade de ambos é atendida, quando há uma cumplicidade, quando os interlocutores são parceiros de um jogo; o jogo da linguagem, do diálogo, que é algo fundamental. É casar interação com conversação”. (CHALITA, 2002).
       Lidamos com uma realidade complexa dentro de uma instituição escolar, em que as dificuldades se confundem e se acumulam, criando muralhas entre os envolvidos, parecendo impossivel encontrar uma solução para a questão. Mas vejamos, o ensino e a aprendizagem estão inter-ligados; o educador ensina se os alunos aprendem, e ai está o desafio: perceber o que nossos alunos não sabem, não compreendem e, ao mesmo tempo, articular com o que já aprenderam. Também devemos considerar a experiência docente  e a ética profissional. Como diz Rios,
 “ saber fazer bem o que é necessário e desejável no espaço da profissão; a ação docente, de boa qualidade, é uma ação que faz bem, é bem feita do ponto de vista técnico, estético , ético, a nós e àqueles a quem a dirigimos.
       O enfoque psicopedagógico pode ser preventivo ou terapêutico.
       Na ação preventiva, o psicopedagogo irá focalizar as possibilidades de aprendizagem do sujeito, analisando a familia, a escola e a comunidade, com o intuito de conhecer todos os envolvidos neste processo e as condições oferecidas a este sujeito.Orientá-los sobre as etapas de desenvolvimento infantil, sobre a  importância da estimulação no processo de aprendizagem e suas dificuldades.  
       Enfim, nossa atuação sendo clinica ou institucional, preventiva ou terapêutica deve estar voltada em não só compreender, de forma abrangente, como o sujeito humano aprende a realidade e os conhecimentos que foram produzidos ao longo da evolução histórica, mas também como produz conhecimentos novos, como o processo de aprendizagem se efetiva, que dificuldades podem ser encontradas no percurso deste processo e a forma como se ensina, formal ou informalmente. Porém, para que possamos desempenhar nosso papel e nossa função social, ética e moral, é fundamental que atuemos de forma critica, buscando compreender as determinantes histórico-social do fracasso escolar, as possibilidades e limites de sua atuação.
Existem muitas pesquisas voltadas a aprendizagem, em como construimos nosso conhecimento e desenvolvemos nossa inteligência. Algumas teorias conceituam a aprendizagem de forma diferente porque compreendem o processo de aquisação do conhecimento de forma diferenciada. Cabe, aqui, conhecê-las, para propiciarmos uma reflexão sobre a prática docente.
As teorias cognitivas estudam o processo de construção do conhecimento humano e o desenvolvimento da inteligência. Elas nos levam a conhecer como se processa interiormente a aprendizagem por meio das experiências sensoriais( aquilo que é vivido pelo corpo→olhar, sentir e tocar); as representações; nossos pensamentos (damos sentido a representação); e  consequentemente nossas lembranças. Entre outros, como os  fatores cognitivos não observáveis diretamente que devem ser investigados. Essas teorias não respondem a todas nossas perguntas, mas nos apontam o caminho a seguir, buscando alternativas, aplicações de novas práticas pedagógicas.
Para os teóricos cognitivistas, a maturação biológica, o conhecimento prévio, o desenvolvimento da linguagem, o processo de interação social e a descoberta da afetividade são fatores de grande relevância no processo de desenvolvimento da inteligência e da aprendizagem.
Jean Piaget entende que o desenvolvimento intelectual age do mesmo modo que o desenvolvimento biologico( WADSWORTH,1996). Para Piaget, a atividade intelectual não pode ser separada do funcionamento “total” do organismo ( 1952, p.7) :
Do ponto de vista biológico, organização é inseparável da adaptação: eles são dois processos complementares de um único mecanismo, sendo que o primeiro é o aspecto interno do ciclo do qual a adaptação constitui o aspecto interno.
Se a psicopedagogia propõe que o próprio sujeito seja autor de sua aprendizagem, intervir nesse processo, conhecendo as teorias cognitivas, é criar mecanismos que contribuam para o aprender do sujeito, possibilitando, num processo dialético, a transformação da realidade, bem como a transformação de si mesmo.
       Na instituição educacional, o psicopedagogo, intervem com base em ações que se caracterizam por uma atitude operativa. Esta atitude, promove a autonomia individual e grupal e é uma atitude a ser aprendida por todos os profissonais que trabalham com a aprendizagem num espaço coletivo. JorgeVisca(1987), em seu livro Clinica Psicopedagogica,apresenta várias atitudes a serem utilizadas pelo psicopedagogo, que podem ser entendidas como atitudes capazes de levar o aprendiz à operatividade, à mudança de uma determinada situação, à aprendizagem.
       O papel do professor no processo ensino - aprendizagem       é uma espiral de conhecimento, é o professor que motiva seu aluno. Henri Wallon afirma que a criança precisa interagir com o meio para desenvolver seus aspectos afetivos, sociais e intelectuais.
A escola é a instituição que tem por finalidade promover atividades para desenvolver esses aspectos. Sendo a educação um fato social, ela deve refletir a realidade concreta na qual esse ser social vive, atua e, muitas procura modificar. A função da educação é integrar a formação da pessoa e a sua insersão na sociedadee, assim, assegurar sua plena realização. Cabe à educação, dessa forma, formar individuos autonômos, pensantes, ativos, capazes de participar da construção de uma sociedade contextualizada. Os métodos pedagógicos não podem ser dissociados desses enfoques, eles devem ser apoiados no conhecimento do aluno e no seu meio, pois “ todas as crianças, sejam quais forem suas origens familiares, sociais, étnicas, tem direito igual ao desenvolvimento máximo que sua personalidade comporta. Eles não devem ter outra limitação além de suas aptidões”.( Wallon, Psicologia e educação da infância. Lisboa. Estampa.1986)
O professor deve ser capaz de através de seu conhecimento nas teorias cognitivas tirar o melhor proveito no processo ensino aprendizagem, perceber que a motivação, a curiosidade e a vontade de cooperar são importantes para a aquisição das competências e servem de estimulos aos alunos para a realização de investigação, trabalhos em grupo, jogos cooperativos e brincadeiras. Enfim, é entender o processo de alfabetização como uma construção cognitiva drámatica-simbólica, instrumentada pela corporeidade. A alfabetização começa quando os pais e a sociedade dão ou tiram da criança o direito de pensar, de ser autônomo, de ser autor de sua própria opinião.
Há muitas situações de êxito na que se aplicam a aprendizagem. O sistema sanciona uns e exalta outros. Essas crianças com dificuldades de aprendizagem não tomam como valor construtivo o errar, onde aqui o professor deveria dar lugar para que este erro torne-se um caminho construtivo, “ é errando que se aprende”, a partir da análise das respostas equivocadas, pode-se chegar a respostas mais adequadas. Se o erro é punido, não há possibilidade de análise do processo que levou a esse erro. Como professores, não nos detemos a analisar por que nosso aluno pensou o que pensou, como chegou aquele equivoco? Devemos levar muito em conta, o processo de aprendizagem em que sabemos o porque estamos sendo alfabetizados, o que estamos aprendendo e o que farei com este aprendizado em minha vida. São questões de suma importância que nunca foram levadas em consideração. Somos frutos da educação bancária, da aprendizagem mecânica, o ensino enciclopédico.
O professor, como condutor de seus alunos, deve possibilitar um espaço de confiança, de criatividade, lúdico, o qual algumas coisas podem, ao mesmo tempo, ser ou não ser. Não em um espaço que estamos jogando ou aprendendo por aprender, mas onde possamos dar sentido criativo e lúdico ao nosso trabalho.Ensinar deve ser sinônimo de prazer. Tentar que nossas situações de ensinagem sejam tomadas como desafios. Transformar a aprendizagem em, como Alicia Fernandez chama de interjogo entre mostrar e guardar. Guardar e deixar que eles perguntem para que encontrem suas próprias respostas. O que posso fazer é mostrar como fiz para chegar a este conhecimento, transmitir a experiência deste processo.
Para Alicia fernandez (1991, p.98)
....sem curiosidade não há aprendizagem. Curiosidade seria a pergunta, a investigação, a necessidade de que o aprendente se conecte com que precise algo, a partir desta conexão com a falta, com a ignorância, haverá circulação de conhecimento.
Em minha prática pedagógica presencio diariamente situações desnecessárias de indisciplina e rotulação de alunos com dificuldades de aprendizagem e também muito despreparo e desinteresse docente em alguns casos. Falta uma visão mais critica de nosso trabalho docente para perceber essas dificuldades como um pedido de socorro, de suplica por algo novo, inovador, prazeroso. Nossas crianças de hoje, não são crianças acomodadas como as de nossa geração, são crianças do mundo globalizado, da era tecnológica, que necessitam de respostas para suas angustias.
Cabe a nós professores compreender a existência da diversidade de nossa sala de aula, dialogar com nossos colegas, pais e os próprios alunos sobre essa diversidade, estimular o aluno a mostrar de forma consciente o que esta aprendendo, dar sentido ao aprendizado, proporcionar varias formas de aprendizagem, diversificar as atividades e reconsiderar os métodos de avaliação, visando que cada aluno tem seu tempo e sua forma de aprender, respeitar e proporcionar avaliações condizentes com as diferenças de sua sala.
Estimular nossos alunos a autonomia, responsabilidade de seu atos e a interação dos alunos pra que possam gerar novos conhecimentos, novas investigações e explorar novos estimulos, são passos não só, para se alcançar a significação do conhecimento e sanarmos o fracasso escolar, mas também, outros tantos problemas que encontramos na instituição de ensino, dentre eles a indisciplina e o bullyng.
Enfim, construir alunos conhecedores de seu processo de aprendizagem, responsáveis pelos seus atos, permitir uma construção de significados e afetividade entre membros, são ações que todo educador sonha para sua carreira docente. È caminhar a passos largos para a construção da escola de todos e para todos e, a nós psicopedagogos fica a missão de auxiliar esta caminhada com muita ética, orgulho e paixão .


BIBLIOGRAFIA:
LAKOMY,Ana Maria. Teorias Cognitivas da Aprendizagem.  Ed. IBPEX 2ª ed. Curitiba. 2008.
GRASSI. M. Tânia. Psicopedagogia, um olhar, uma escuta. Ed. IBPEX. Curitiba. 2009.
OLIVEIRA.C.M.Ângela. Psicopedagogia: A instituição educacional em foco.Ed. Ibpex. Curitiba. 2009.
ZENICOLA,M.Ana;BARBOSA,S.M.Laura;CARLBERG,Simone. Psicopedagogia: saberes/olhares/fazeres. Ed. Pulso. São José dos Campos. 2007.
LOPES, A.V.Shiderlene. O processo da avaliação e intervenção em psicopedagogia. Ed. Ibpex. Curitiba. 2009.
GOUVÊA. Fernando. Introdução à psicopedagogia. IESDE. Curitiba. 2006.
FERNANDEZ, Alicia. A mulher escondida na professora.Artimed Ed. 1ª ed. 1994.
VISCA. Jorge. Psicopedagogia clinica. Ed. Pulso. 2ª ed. São José dos Campos. 2010.