sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Ser Professor...

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Os Doutores da Alegria - Uma missão do bem

domingo, 26 de setembro de 2010

Fundamentos para a formação e atuação do psicopedagogo

Patricia Leuck
A Psicopedagogia nasceu em um contexto marcado por transformações sociais significativas, onde ampliou muito a procura por escolas.Eis então, o surgimento da psicopedagogia,onde médicos psicólogos e educadores mostraram interesse e preocupação com as dificuldades de aprendizagem, com o fracasso escolar e com a compreensão do processo de ensino aprendizagem. Buscaram alternativas de intervenções que integravam o conhecimento.Passou-se  a olhar o todo, a enxergar o sujeito que, ao aprender, é afetivo, cognitivo, comunicativo, relacional, corporal, biológico e social.  O seu objeto de estudo é o processo de aprendizagem: ensinar/aprender.
Há diversos autores que conceituam de diversas formas a psicopedagogia, mas sob meu ponto de vista, a que melhor se encaixa , é o conceito de Weiss, que procura “ por meio de sua atuação, melhorar a relação do sujeito com a aprendizagem e também a qualidade no processo de construção das aprendizagens, tanto dos educandos, quanto dos educadores, a inserção do educador neste processo, não como um ensinante apenas, mas como aprendente.
 È de extrema importância o educador conhecer o próprio processo de aprendizagem, seus limites e possibilidades para poder entender como se dá a aprendizagem do aluno”. Para Weiss, tanto o aprendente quanto o ensinante, estão envolvidos neste processo.
Quando falamos em dificuldades de aprendizagem temos que pensar não só nas dificuldades que o aluno enfrenta, mas nas dificuldades que o educador também enfrenta para entender o processo de aprendizagem de seu aluno. È uma via de mão dupla, necessitando de uma visão totalizadora, integradora, capaz de possibilitar uma aprendizagem mais signitiva.
Possuir um boa formação docente, um conhecimento mais  especializado nas teorias  cognitivas de aprendizagem , ser conhecedor de uma nova praxis, são imprensidiveis para alcançar um processo educativo que valoriza o saber, que promove a circulação do conhecimento.
       A psicopedagogia caminha com objetivo de contribuir para o processo de aprendizagem do sujeito. Seu caráter interdisciplinar denota especificidade enquanto área de estudo, buscando conhecimentos em outras áreas e criando seu próprio objeto de estudo, campo de aplicação e instrumentos.
Segundo Maria Eliana da Silva e Mari Angela Calderari Oliveira,
A atividade psicopedagógica vem ganhando um espaço de atuação significativo ao longo de sua história, como uma área que identifica, diagnostica e intervem no movimento de aprendizagem do homem.        Aborda-se o termo movimento de aprendizagem, na psicopedagogia,      porque esta área concebe seu objeto de estudo, que é o aprender, como algo dinâmico no ser humano e nas suas inter-relações.
       Ainda, dentro desta interdisciplinariedade da psicopedagogia, Laura Monte Serrat Barbosa, citada por Silva e Oliveira, afirma que :
        Embora a psicopedagogia possua em seu nome os termos psicologia e pedagogia, seu significado não esta relacionado à junção destas disciplinas, mas está ligado a todas que estudam o processo de aprendizagem. A psicopedagogia, sem pretender ser a solução de todos os problemas, surge como uma área que busca integrar várias disciplinas, com o objetivo de construir um corpo teórico que embase uma atuação eficaz, sem que se divida o sujeito da aprendizagem em vários compartimentos. O caráter interdisciplinar da psicopedagogia coloca-a como um campo que teoriza contemporaneamente sobre a questão de apredizagem, efetivando sua prática na relação de aprendizagem e saberes múltiplos. Não se fundamenta em bagagens conteudistas, mas sim em saberes significativos, configurando uma relação positiva com a aquisição de conhecimento.
       È de fundamental importância que se compreenda a psicopedagogia como área que desenvolve seus estudos, concretizando seu corpo teórico e aprimorando seus instrumentos, para entender  de forma cada vez  mais precisa, o processo de aquisição do conhecimento humano. Nosso objeto de estudo vai muito além do processo de aprendizagem, refere-se a um sujeito que aprende, um sujeito que é capaz de conhecer sobre si mesmo e sobre o ambiente do qual  está inserido.Mas o que seria esta aprendizagem? Como se dá este processo?
       Davis e Oliveira definem a aprendizagem como um processo de apropriação ativa, por parte da criança, dos conhecimentos resultantes da experiência do grupo social a que elas pertencem. Ainda afirmam, que  para que a aprendizagem ocorra, é fundamental haver interação entre o sujeito( criança) e outros sujeitos humanos, segundo eles:
A criança, a partir do nascimento, por meio dessas interações, amplia sua ação no mundo e contrói significados tanto para suas ações quanto para suas experiências que vivência, aprende e desenvolve. A utilização da linguagem promove a ampliação dos significados, o que, por sua vez, permitirá a conceitualização. A integração entre linguagem e pensamento representa a base do funcionamento intelectual. A criança aprende nas relações com o outro, através do compartilhamento de ações que são mediadas pela linguagem e pela instrução.
       O papel que nós, psicopedagogos assumimos, segundo análise de Abaurre, deve ser de mediador trabalhando diretamente com o aluno que tem “problemas” de aprendizagem para identificar os fatores que interferem no seu processo, e para ajudá-los a vencer essas dificuldades, por meio de acompanhamento “ remedial”.
       Sabemos que em nossa práxis, nos deparamos com muitos obstáculos, precisando uma instrumentação e preparação para poder intervir, superando as dificuldades e rompendo dogmas que se formam a partir de conflitos criados em relação à esses obstáculos.
       Um deles,  está na escola, com a dificuldade de entender o motivo do fracasso  escolar de seus alunos, criando situações de ansiedade e angustia para ambos os lados  aluno→ educador→ pais.
A interação professor-aluno só é positiva quando a necessidade de ambos é atendida, quando há uma cumplicidade, quando os interlocutores são parceiros de um jogo; o jogo da linguagem, do diálogo, que é algo fundamental. É casar interação com conversação”. (CHALITA, 2002).
       Lidamos com uma realidade complexa dentro de uma instituição escolar, em que as dificuldades se confundem e se acumulam, criando muralhas entre os envolvidos, parecendo impossivel encontrar uma solução para a questão. Mas vejamos, o ensino e a aprendizagem estão inter-ligados; o educador ensina se os alunos aprendem, e ai está o desafio: perceber o que nossos alunos não sabem, não compreendem e, ao mesmo tempo, articular com o que já aprenderam. Também devemos considerar a experiência docente  e a ética profissional. Como diz Rios,
 “ saber fazer bem o que é necessário e desejável no espaço da profissão; a ação docente, de boa qualidade, é uma ação que faz bem, é bem feita do ponto de vista técnico, estético , ético, a nós e àqueles a quem a dirigimos.
       O enfoque psicopedagógico pode ser preventivo ou terapêutico.
       Na ação preventiva, o psicopedagogo irá focalizar as possibilidades de aprendizagem do sujeito, analisando a familia, a escola e a comunidade, com o intuito de conhecer todos os envolvidos neste processo e as condições oferecidas a este sujeito.Orientá-los sobre as etapas de desenvolvimento infantil, sobre a  importância da estimulação no processo de aprendizagem e suas dificuldades.  
       Enfim, nossa atuação sendo clinica ou institucional, preventiva ou terapêutica deve estar voltada em não só compreender, de forma abrangente, como o sujeito humano aprende a realidade e os conhecimentos que foram produzidos ao longo da evolução histórica, mas também como produz conhecimentos novos, como o processo de aprendizagem se efetiva, que dificuldades podem ser encontradas no percurso deste processo e a forma como se ensina, formal ou informalmente. Porém, para que possamos desempenhar nosso papel e nossa função social, ética e moral, é fundamental que atuemos de forma critica, buscando compreender as determinantes histórico-social do fracasso escolar, as possibilidades e limites de sua atuação.
Existem muitas pesquisas voltadas a aprendizagem, em como construimos nosso conhecimento e desenvolvemos nossa inteligência. Algumas teorias conceituam a aprendizagem de forma diferente porque compreendem o processo de aquisação do conhecimento de forma diferenciada. Cabe, aqui, conhecê-las, para propiciarmos uma reflexão sobre a prática docente.
As teorias cognitivas estudam o processo de construção do conhecimento humano e o desenvolvimento da inteligência. Elas nos levam a conhecer como se processa interiormente a aprendizagem por meio das experiências sensoriais( aquilo que é vivido pelo corpo→olhar, sentir e tocar); as representações; nossos pensamentos (damos sentido a representação); e  consequentemente nossas lembranças. Entre outros, como os  fatores cognitivos não observáveis diretamente que devem ser investigados. Essas teorias não respondem a todas nossas perguntas, mas nos apontam o caminho a seguir, buscando alternativas, aplicações de novas práticas pedagógicas.
Para os teóricos cognitivistas, a maturação biológica, o conhecimento prévio, o desenvolvimento da linguagem, o processo de interação social e a descoberta da afetividade são fatores de grande relevância no processo de desenvolvimento da inteligência e da aprendizagem.
Jean Piaget entende que o desenvolvimento intelectual age do mesmo modo que o desenvolvimento biologico( WADSWORTH,1996). Para Piaget, a atividade intelectual não pode ser separada do funcionamento “total” do organismo ( 1952, p.7) :
Do ponto de vista biológico, organização é inseparável da adaptação: eles são dois processos complementares de um único mecanismo, sendo que o primeiro é o aspecto interno do ciclo do qual a adaptação constitui o aspecto interno.
Se a psicopedagogia propõe que o próprio sujeito seja autor de sua aprendizagem, intervir nesse processo, conhecendo as teorias cognitivas, é criar mecanismos que contribuam para o aprender do sujeito, possibilitando, num processo dialético, a transformação da realidade, bem como a transformação de si mesmo.
       Na instituição educacional, o psicopedagogo, intervem com base em ações que se caracterizam por uma atitude operativa. Esta atitude, promove a autonomia individual e grupal e é uma atitude a ser aprendida por todos os profissonais que trabalham com a aprendizagem num espaço coletivo. JorgeVisca(1987), em seu livro Clinica Psicopedagogica,apresenta várias atitudes a serem utilizadas pelo psicopedagogo, que podem ser entendidas como atitudes capazes de levar o aprendiz à operatividade, à mudança de uma determinada situação, à aprendizagem.
       O papel do professor no processo ensino - aprendizagem       é uma espiral de conhecimento, é o professor que motiva seu aluno. Henri Wallon afirma que a criança precisa interagir com o meio para desenvolver seus aspectos afetivos, sociais e intelectuais.
A escola é a instituição que tem por finalidade promover atividades para desenvolver esses aspectos. Sendo a educação um fato social, ela deve refletir a realidade concreta na qual esse ser social vive, atua e, muitas procura modificar. A função da educação é integrar a formação da pessoa e a sua insersão na sociedadee, assim, assegurar sua plena realização. Cabe à educação, dessa forma, formar individuos autonômos, pensantes, ativos, capazes de participar da construção de uma sociedade contextualizada. Os métodos pedagógicos não podem ser dissociados desses enfoques, eles devem ser apoiados no conhecimento do aluno e no seu meio, pois “ todas as crianças, sejam quais forem suas origens familiares, sociais, étnicas, tem direito igual ao desenvolvimento máximo que sua personalidade comporta. Eles não devem ter outra limitação além de suas aptidões”.( Wallon, Psicologia e educação da infância. Lisboa. Estampa.1986)
O professor deve ser capaz de através de seu conhecimento nas teorias cognitivas tirar o melhor proveito no processo ensino aprendizagem, perceber que a motivação, a curiosidade e a vontade de cooperar são importantes para a aquisição das competências e servem de estimulos aos alunos para a realização de investigação, trabalhos em grupo, jogos cooperativos e brincadeiras. Enfim, é entender o processo de alfabetização como uma construção cognitiva drámatica-simbólica, instrumentada pela corporeidade. A alfabetização começa quando os pais e a sociedade dão ou tiram da criança o direito de pensar, de ser autônomo, de ser autor de sua própria opinião.
Há muitas situações de êxito na que se aplicam a aprendizagem. O sistema sanciona uns e exalta outros. Essas crianças com dificuldades de aprendizagem não tomam como valor construtivo o errar, onde aqui o professor deveria dar lugar para que este erro torne-se um caminho construtivo, “ é errando que se aprende”, a partir da análise das respostas equivocadas, pode-se chegar a respostas mais adequadas. Se o erro é punido, não há possibilidade de análise do processo que levou a esse erro. Como professores, não nos detemos a analisar por que nosso aluno pensou o que pensou, como chegou aquele equivoco? Devemos levar muito em conta, o processo de aprendizagem em que sabemos o porque estamos sendo alfabetizados, o que estamos aprendendo e o que farei com este aprendizado em minha vida. São questões de suma importância que nunca foram levadas em consideração. Somos frutos da educação bancária, da aprendizagem mecânica, o ensino enciclopédico.
O professor, como condutor de seus alunos, deve possibilitar um espaço de confiança, de criatividade, lúdico, o qual algumas coisas podem, ao mesmo tempo, ser ou não ser. Não em um espaço que estamos jogando ou aprendendo por aprender, mas onde possamos dar sentido criativo e lúdico ao nosso trabalho.Ensinar deve ser sinônimo de prazer. Tentar que nossas situações de ensinagem sejam tomadas como desafios. Transformar a aprendizagem em, como Alicia Fernandez chama de interjogo entre mostrar e guardar. Guardar e deixar que eles perguntem para que encontrem suas próprias respostas. O que posso fazer é mostrar como fiz para chegar a este conhecimento, transmitir a experiência deste processo.
Para Alicia fernandez (1991, p.98)
....sem curiosidade não há aprendizagem. Curiosidade seria a pergunta, a investigação, a necessidade de que o aprendente se conecte com que precise algo, a partir desta conexão com a falta, com a ignorância, haverá circulação de conhecimento.
Em minha prática pedagógica presencio diariamente situações desnecessárias de indisciplina e rotulação de alunos com dificuldades de aprendizagem e também muito despreparo e desinteresse docente em alguns casos. Falta uma visão mais critica de nosso trabalho docente para perceber essas dificuldades como um pedido de socorro, de suplica por algo novo, inovador, prazeroso. Nossas crianças de hoje, não são crianças acomodadas como as de nossa geração, são crianças do mundo globalizado, da era tecnológica, que necessitam de respostas para suas angustias.
Cabe a nós professores compreender a existência da diversidade de nossa sala de aula, dialogar com nossos colegas, pais e os próprios alunos sobre essa diversidade, estimular o aluno a mostrar de forma consciente o que esta aprendendo, dar sentido ao aprendizado, proporcionar varias formas de aprendizagem, diversificar as atividades e reconsiderar os métodos de avaliação, visando que cada aluno tem seu tempo e sua forma de aprender, respeitar e proporcionar avaliações condizentes com as diferenças de sua sala.
Estimular nossos alunos a autonomia, responsabilidade de seu atos e a interação dos alunos pra que possam gerar novos conhecimentos, novas investigações e explorar novos estimulos, são passos não só, para se alcançar a significação do conhecimento e sanarmos o fracasso escolar, mas também, outros tantos problemas que encontramos na instituição de ensino, dentre eles a indisciplina e o bullyng.
Enfim, construir alunos conhecedores de seu processo de aprendizagem, responsáveis pelos seus atos, permitir uma construção de significados e afetividade entre membros, são ações que todo educador sonha para sua carreira docente. È caminhar a passos largos para a construção da escola de todos e para todos e, a nós psicopedagogos fica a missão de auxiliar esta caminhada com muita ética, orgulho e paixão .


BIBLIOGRAFIA:
LAKOMY,Ana Maria. Teorias Cognitivas da Aprendizagem.  Ed. IBPEX 2ª ed. Curitiba. 2008.
GRASSI. M. Tânia. Psicopedagogia, um olhar, uma escuta. Ed. IBPEX. Curitiba. 2009.
OLIVEIRA.C.M.Ângela. Psicopedagogia: A instituição educacional em foco.Ed. Ibpex. Curitiba. 2009.
ZENICOLA,M.Ana;BARBOSA,S.M.Laura;CARLBERG,Simone. Psicopedagogia: saberes/olhares/fazeres. Ed. Pulso. São José dos Campos. 2007.
LOPES, A.V.Shiderlene. O processo da avaliação e intervenção em psicopedagogia. Ed. Ibpex. Curitiba. 2009.
GOUVÊA. Fernando. Introdução à psicopedagogia. IESDE. Curitiba. 2006.
FERNANDEZ, Alicia. A mulher escondida na professora.Artimed Ed. 1ª ed. 1994.
VISCA. Jorge. Psicopedagogia clinica. Ed. Pulso. 2ª ed. São José dos Campos. 2010.


terça-feira, 3 de agosto de 2010

A Psicopedagogia

Formação de professores - Bernadete Gatti

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Proposta de intervenção com material disparador

Proposta de intervenção psicopedagógica para B.T


Patrícia Leuck
Afirma-se sobre a intervenção ser uma interferência do profissional dentro do processo de aprendizagem do aluno, não somente de suas dificuldades ou distúrbios, mas também na aprendizagem de um modo geral.

Alicia Fernandez (2001) relata que todo sujeito tem sua modalidade de aprendizagem e os seus meios para construir o próprio conhecimento, e isso significa uma maneira muito pessoal para se dirigir e construir o saber.

A aprendizagem é um fruto da história de cada sujeito e das relações que ele consegue estabelecer com o conhecimento ao longo da vida, como afirma Bossa (2000). Sabemos que quanto maior for estimulo dado às crianças, maior será seu desenvolvimento.

Compreendido o conceito de intervenção e aprendizagem, busquemos subsídios para proporcionar o auto conhecimento de BT, para que possa entender como se dá o processo de construção do seu conhecimento.

Analisar BT como sendo uma criança com dificuldades de aprendizagem, que podem estar aliadas aos transtornos de saúde que ocorreram numa fase de grandes obstáculos funcionais orgânicos, aliados a fatores emocionais, que interferem diretamente em seu desempenho escolar, baseando-nos em conceitos de Wells (2000), que afirma que a prática.
Psicopedagógica deve considerar o sujeito como um ser global. O aspecto orgânico diz respeito à construção biológica do sujeito, a dificuldade de aprender estaria ligada ao corpo. O aspecto cognitivo está relacionado ao funcionamento das estruturas cognitivas, ou seja, na estrutura do pensamento de BT. O aspecto social refere-se à relação do sujeito com a família, com a sociedade, seu contexto social e cultural. E, por ultimo, o contexto pedagógico, como a escola organiza o trabalho de metodologia, avaliação e didática.

Diante de todos estes fatores, buscaremos um procedimento de intervenção que se adequou ao caso de BT, procurando desenvolver com uma nova proposta fundamentada no material disparador, com jogos e atividades psicomotoras, brincadeiras corporais, livros de história para contação e expressão oral, onde a criança desperte, através do lúdico, seu auto conhecimento, corporal, cognitivo e emocional.
Considerações sobre o Material Disparador:

Segundo Jorge Visca, que, idealizou a caixa de trabalho para procurar sanar as dificuldades de aprendizagem, inspirando-se na caixa individual, que a psicanálise da criança utiliza.

Esta caixa seria composta de brinquedos, jogos e materiais que representassem o mundo interno da criança, suas fantasias e medos inconscientes frente ao mundo (BARBOSA, 2000. Pg.35). É preciso considerar alguns aspectos, tais como: estágio de pensamento, interesses ou motivações, déficits de aprendizagem,

sexo, idade, meio sócio-cultural, prognóstico e grau de focalização da tarefa (Visca, 1987, p. 29). Barbosa completa ainda com o nível de apropriação da linguagem escrita, vínculos afetivos estabelecidos com as situações de aprendizagem (2002, p. 36).

Além de materiais, estruturados e não estruturados, a caixa deverá conter materiais básicos que servirão de apoio, tais como: lápis, borracha, régua, apontador e dependendo da necessidade apontada pela avaliação: tesoura cola e revistas para recortar.

Esta caixa é única e exclusiva da criança, pois representa uma importância significativa da sua vida, já que intencionam promover “... a superação ou a minimização das dificuldades de aprendizagem” (BARBOSA, 2000 pg.36).

Além da caixa de trabalho, há profissionais que trabalham com o que Bosse (1995) denominou de material disparador em seu artigo na revista Psicopedagogia: O material disparador - considerações preliminares de uma experiência clínica psicopedagógica.

Nesta citação ela explica porque acredita ser inviável trabalhar com a caixa de trabalho: realidade atual, torna-se praticamente inviável ao psicopedagogo dispor de materiais como: jogos, tesouras, caixas de lápis de cor etc. para uso exclusivo de um único cliente. A menos que o profissional se dedique a atender pessoas de classe econômica alta, o que não me parece ser o objetivo da Psicopedagogia (BOSSE, 1995, p. 81).
Segundo Bosse (BOSSE, 1995, p. 81), o material disparador poderá ser um livro, um jogo, pedaços de tecido, papel de dobradura entre outros.

As substituições também não deverão ser feitas de forma aleatória. Elas deverão responder a questões tais como: "Porque vou substituir este disparador nesta sessão? Porque vou introduzir outro".

Embora simples na aparência tenha um rico significado internamente já que é ali que o sujeito depositará suas construções e elaborações como desenhos, pintura, texto etc. Ela representa "o depositário de conteúdos simbólicos do paciente" (WEISS, 2003, p. 152).

Intervenção de BT:

Fernández (1990) afirma que o diagnóstico, para o terapeuta, deve ter a mesma função que a rede para um equilibrista. É ele, portanto, a base que dará suporte ao psicopedagogo para que este faça o encaminhamento necessário.

É um processo que permite ao profissional investigar, levantar hipóteses provisórias que serão ou não confirmadas ao longo do processo recorrendo, para isso, a conhecimentos práticos e teóricos. Esta investigação permanece durante todo o trabalho diagnóstico através de intervenções e da “... escuta psicopedagógica...", para que “... se possam decifrar os processos que dão sentido ao observado e norteiam a intervenção". (BOSSA, 2000, p. 24).
Em uma primeira sessão, disponibilizar em uma mesa, diversos materiais como: lápis de cor, canetinha, bloco de desenho, tempera, pincel, livros infantis com fantoches, massa de modelar, brinquedos, corda de pular, giz de quadro negro, retalhos, lã, a fim de que BT se identifique com a caixa através do material não estruturado e experimente mudanças através dos diferentes materiais estruturados; explicando que “os materiais que estão sobre a mesa são para você usar aqui, como quiser, para poder aprender mais”.

Piaget, em Psicologia de lá Inteligência, coloca que:

O indivíduo não atua senão quando experimenta a necessidade; ou seja; quando o equilíbrio se acha momentaneamente quebrado entre o meio e o organismo, a ação tende a restabelecer este equilíbrio, quer dizer, precisamente, a readaptar o organismo... (PIAGET apud VISCA, 1991, p. 41).

Em seguida, conversar com BT sobre a caixa e o material: “O que você gostaria de colocar dentro desta caixa para trabalharmos em nossas sessões”?

O propósito da intervenção baseia-se na estimulação da aprendizagem nas seguintes áreas, manipular, seriar, classificar, transportar, juntar, copiar. Portanto falamos em desenvolver o pensamento pré-operacional e operacional, segundo Piaget.
Quero que BT se expresse ao máximo, utilize todas as formas de linguagem que puder. Acredito que assim conseguiremos sanar muitas de suas dificuldades, conhecendo seu corpo através da confecção uma boneca de pano com os retalhos, desenhando o contorno do seu corpo, expressando-se através do desenho e da contação de histórias, brincadeiras lúdicas com corda. Atividades estas que a farão resgatar o tempo perdido devido sua dificuldade orgânica, conhecer seu corpo. Enfim liberta-se para sua aprendizagem.

Considerações finais:

Fazer com que BT vivencie seu material disparador será muito positivo ao seu aprendizado. Ele realizará atividades que instigarão suas inquietudes, inseguranças, dificuldades e até medos. Para Barbosa ela é “um continente, no qual a criança poderá depositar seus conteúdos de saber e de não saber” (2002, p. 35).

No primeiro momento ele escolherá seu material de trabalho, mas seja qual for me mostrará algo, desenhando representará seu mundo interior e exterior. Confeccionando bonecas de pano, seu próprio brinquedo, criará um vinculo afetivo, seu resgate emocional: “como devo cuidar de minha boneca”? “Como mamãe me cuida”?
Com jogos e brincadeiras, será o momento de explorar sua parte motora, psicomotora, trabalhar o corpo, conhecê-lo, explorá-lo.

Através do seu auto conhecimento, de conhecer como se dá seu aprendizado conseguiremos sanar muitas de suas dificuldades.

O ser humano se constrói progressivamente e em estados de alternância, ora mais emocionais e ora mais cognitivos, auxiliando-nos a avaliar de forma mais concreta o que está acontecendo com BT. Nesse direcionamento, o desenvolvimento é entendido como descontínuo assistemático e como uma construção progressiva. Dito por Dantas de outra forma: “Isto significa que a afetividade depende, para evoluir, de conquistas realizadas no plano da inteligência e vice-versa” (1992, pg. 90).

Acredito que esta prática seja a mais adequada à realidade de BT e, ao mesmo tempo, coerente com os princípios de um modelo mais amplo, que é o da Epistemologia Convergente, que lhe dá sustentação. (BOSSE. P. 1995, p. 83)... através da qual o psicopedagogo irá observar as ações desta criança para, a partir daí, fazer suas intervenções com o objetivo de promover o seu avanço em relação às suas dificuldades.







Bibliografias:



1. DANTAS, Heloysa. A Afetividade e a construção do Sujeito na Psicogenética de Wallon. In: Teorias psicogenéticas em discussão. DE LA TAYLLE, Yves, OLIVEIRA, Marta Kohl. São Paulo: Summus, 1992.

2. BOSSE, Vera R. P. O material disparador - considerações preliminares de uma experiência clínica psicopedagógica. In: Psicopedagogia, Rev. 14 (33), São Paulo, 1995.

3. WEISS, M. L. L. Psicopedagogia Clínica: uma visão diagnóstica dos problemas de aprendizagem escolar. Rio de Janeiro, DP&A, 2003.

4.

domingo, 11 de abril de 2010

Eu e minha saúde ( parte 1 )

SITUAÇÃO PROBLEMA: 
Onde poderemos encaixar a matemática no conteúdo sobre alimentação? Quanto tempo será que levamos para fazer a digestão? Você sabe o que é IMC? Quanto consumimos de calorias por dia?

OBJETIVOS:
• ressaltar a importância de uma alimentação saudável para o funcionamento de nosso corpo;
• propiciar opções saudáveis para desenvolver hábitos alimentares que lhe tragam uma boa qualidade de vida.

EIXOS TEMÁTICOS:

• Sistema de numeração decimal e números racionais

• Números naturais;

• Operações com números decimais e racionais,

• Grandezas e medidas


CONSTRUÇÕES ESSENCIAIS:
• Leitura, escrita e ordenação dos números racionais,

• Reconhecimento de diferentes significados das frações em situações – problema: parte todo, quociente e razão

• Situações ´problemas envolvendo operações com números naturais racionais e o uso das técnicas operatórias com a compreensão dos processos envolvidos;

• Situações problema envolvendo as operações de adição e subtração de números racionais na forma decimal; porcentagem

• Reconhecimento de unidades de medidas usuais ou sistema métrico decimal.


ABORDAGEM:

1) Analise da tabela dos alimentos consumidos: observe na tabela o tempo de digestão de alguns alimentos. Quais destes alimentos citados demoram mais tempo para ser digeridos? Se o tempo de digestão de um prato de macarronada fosse o dobro do tempo determinado na tabela, quanto seria?

2) Com base na tabela realizada por você, vamos somar as calorias dos aliemtnos. Quantas calorias você consumiu em um dia?

3) Observe esta formula para calcular o IMC ( índice de massa corporal) IMC = peso

Altura X altura

Agora vamos tentar calcular o nosso IMC:

Texto sobre o IMC adequado a cada faixa etária, extraído da zero hora

4) tema de casa: pesquise a quantidade ideal caloria de uma criança de sua idade.

5) Problemas matemáticos sobre calorias, envolvendo multiplicação e divisão.

6) Tema de casa: Embasando-se no texto dos alimentos, retire os números matemáticos existentes. Calcule há quanto tempo existem: os alimentos na américa e o tempo entre o século 15 e 16. Pesquise qual foi o ano da criação da geladeira da luz e do progresso agrícola.

7) Laboratório de matemática: vamos representar em nosso abaco os números encontrados no tema . Agora vamos escrevê-los por extenso no caderno.

8) Você sabe o que é um século e como é representado? Que anos encontramos no século 15? E no 16? Como convertemos os séculos para anos?

9) Texto explicativo sobre séculos.

10) Culinária : faremos uma receita escolhida pelas crianças do nosso livro de receitas, trabalhando medidas e frações. Representar a receita em frações no caderno, agora em medidas. A que conclusão chegamos? Quanto gastamos para realizar a receita?

11) Texto matemático: obesidade no Brasil. Extraído da IBGE Analise do texto. Escreva com todas suas ordens, os numerais do texto que estão na forma simplificada. Problemas matemáticos envolvendo adição e subtração.
( pizza fracionária)
12) Texto : obesidade Infantil no RS, extraído da zero hora, 05/04/2010. Analise dos dados, porcentagens do texto. Com os dados obtidos no texto, introduzir frações e porcentagem.

13) Quadro comparativo de obesos no Brasil e crianças obesas no RS. Confecção de gráfico comparativo feito de caixa de leite.


14 Trabalhando com as química dos alimentos : complete o quadro dos aditivos sintéticos presentes nos alimentos industrializados que devem ter consumo restrito: aditivos ( gordura hidrogenada, açúcar, corantes,conservantes, sal, farinha refinadas) Onde é encontrado? Reação causada no organismo

15) Experimentos no laboratório de ciências: è importante mastigar bem, a ação da salivação, a acidez do suco gástrico, o movimento da digestão. e a composição dos alimentos. Relario conclusivo das experiências.


16) Texto : alerta as crianças gaúchas: doenças de adulto na infância- de mal com a balança, extraído da zero hora, 05/04/2010.

17) Faça uma síntese do texto, apontando os pontos mais importantes em sua opinião. Debate.

18) Confecção do portfólio “ os 10 mandamentos contra a obesidade infantil”, onde seão entregues aos pais e feito uma campanha de conscientização na escola para os colegas.